Imagem de Paz!

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Foto da cachoeira do Sahy, Mangaratiba, RJ

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O Desafio da mesa do Senhor, 
(por Júlio Andrade Ferreira)



Quem marca o dia da Santa Ceia? O comungante? Não. A igreja, através de suas autoridades.
Ora, a Escritura diz que, em face do Sacramento o que o crente tem de fazer é examinar-se a si mesmo, e tomar a Ceia.
Tem havido, em nossos meios, uma falsa compreensão do papel da Santa Comunhão.
Freqüentemente ouço que esta ou aquela pessoa não participou da Ceia, porque não estava em condições de fazer tal coisa. Se está entregue à discrição do crente o participar ou não participar da Mesa, então que valor tem ela?
Quem de nós está, em última instância, em condições de tomá-la, senão porque os pecados perdoados em Cristo? Só conheço, à luz da Bíblia, uma sorte de pessoas em condições de tomar a Santa Ceia: são os arrependidos.
Sim: arrependidos, crentes, perdoados.
À luz desse evangelho, a atitude atrás referida, de pessoas que se abstém da Ceia, por não estarem em condições, é completamente falsa. A Ceia é oferecida a pecadores e não a santos. Pecadores arrependidos, certamente, mas nada há que impeça uma pessoa de arrepender-se de pôr-se em condições de tomar da Comunhão.
Esse é, exatamente, o desafio da Santa Ceia, proposto pela comunidade da fé à Igreja, à consciência do crente. Usando uma comparação, eu diria que não se trata de uma conta que possamos protelar, sine die. Não; é antes como um título bancário, cujo resgate está fixado para um dia certo. Ante o desafio referido, examine-se cada qual, e tome...

Qual é pois, a função da Santa Ceia? A de um balanço nas contas, a de uma limpeza na casa, a de um banho no corpo... Isso tudo não pode ser adiado, segundo interesses pessoais em graves prejuízos. Assim, a nossa acomodação ao pecado. Ai de nós se condições comunitárias não viessem ao nosso encontro, auxiliando-nos através do desafio à consciência, a restabelecer a comunhão com Deus. Arrependimento e perdão são duas faces dessa moeda.

Mas se estiver o crente com relações cortadas com alguém, e as condições forem tais que não se possa pedir perdão ao ofendido antes da ocasião da Ceia? Não sei por que tal pergunta ocorre com tanta freqüência. Tenho sempre respondido com uma contra-pergunta: e se o ofendido morreu? Nesse caso, não mais se toma comunhão? A questão fundamental é de relação com Deus; quanto às relações com o próximo, certamente se hão de resolver quando estamos bem com Deus. O Deus dos cristãos é Cristo. Cristo se faz presente em nosso coração e em nossa vida, através da Ceia que Ele mesmo ordenou para nosso bem espiritual. Certo que a interpretação verdadeira da Ceia não é os malabarismo lingüísticos da transubstanciação, nem tão pouco a obscura consubstanciação, nem a diluída idéia de simples memorial. É sim, a grandiosa afirmação da presença real de Cristo.
(... Não nos elementos pão e vinho mas, no meio da igreja- grifo meu, Pr. Israel)

Texto extraído do Livro Antologia Teológica, pp. 591 e 592 - Autor: Julio Andrade Ferreira, Editora Novo Século

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